terça-feira, 31 de maio de 2016

Um foi 8 o outro 80

Após 15 dias da segunda curetagem tive retorno com o medico responsável pelo procedimento. A consulta foi bem rápida e foi apenas uma conversa e orientações. Sai de lá com um pedido de USG e dois pedidos de beta HCG para que o fizesse quando engravidasse. As tentativas estariam liberadas após o primeiro ciclo menstrual.
Uhummm tá bom, eu passei por tudo isso e rápido assim poderia engravidar sem nenhum exame complementar? Fiquei com a pulga atrás da orelha, mas...
Já tinha retorno marcado com minha GO (aquela que disse que os sinais de infecção que tive eram normais por 40 dias). Fui até lá contei o resultado de todo aquele sangramento estranho, dor e febre, aproveitei e levei o USG que havia feito a pedido do médico anterior. Meu útero ja se encontrava em dimensões normais, mas o endométrio ainda estava pouca coisa mais fino que o normal. A kirida não me examinou (novamente) e disse que agora iria investigar a fundo o que houve. Pediu pra não iniciar as tentativas enquanto não tivesse todos os exames em mãos. Eis que a fofa me pede uma histerossalpingografia.
Péra aê.....
Sei nem relatar toda minha confusão no momento.
Não consegui falar nada, ela vendo minha cara de paisagem diz: "eu quero com isso ver o contorno do seu útero direitinho".
Sai da consulta arrasada, achando que algo de muito errado acontecia comigo.
Cheguei em casa e fui investigar mais a fundo as indicações deste exame e como já sabia as principais indicações buscam causas para infertilidade e eu havia engravidado.
Ainda hoje quando conto às pessoas o pedido deste exame todos me perguntam o porquê, já que eu engravidei.
Tive a sensação que a gatona estava agora atirando pra tudo quanto era lado, já que ela havia comido bola comigo duas vezes.
Veja bem, não culpo esta médica por nada que me aconteceu, mas senti nela pouco interesse em mim nos momentos mais críticos da minha história, e principalmente após todo ocorrido quando tive infecção. Sendo assim minha confiança já estava quebrada e qualquer exame de sangue que ela me pedisse eu ja iria desconfiar.
Sai do consultório aos prantos e boy magia do lado sem nada entender. Uma coisa eu sabia, nunca mais voltaria ali.
Por fim desisti dos dois médicos e me convenci de buscar outro médico que me foi indicado, caso este indicasse mesmo a histerossalpingografia iria fazê la, iria fazer o que preciso fosse, mas não com os médicos que passava até então. Uma vez quebrada, a confiança, não se reconstrói tão facilmente.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Em busca do que pudesse me ajudar

"Princesa, hoje completam-se 60 dias que você, muito curiosa e apressada, veio ao mundo. Embora mamãe chorasse naquele momento ela não estava triste por sua vinda, estava triste pois sabia que logo teríamos que nos despedir. Não poderia me entristecer em momento algum, uma vez que você foi o sonho mais lindo que a mamãe e o papai sonharam. Você nos trouxe muitos ensinamentos, você foi forte e resistiu em todos os momentos, você me fez mais feliz e muito mais grata a Deus. Hoje consigo ser mais feliz ainda, por você, pelo papai e por mim mesma pois sei que você está sendo cuidada por Deus. Sinto muita saudade de você aqui comigo, dos enjoos que sentia quando estava em minha barriga, dos seus chutinhos leves e de poder conversar com você o dia todo, mas triste eu não poderia estar. Você foi breve, mas aprendi que coisas marvilhosas e marcantes podem ser breves também. Parabéns pelo seu mesversário. Eu te amo Elisa, mesmo longe espero que receba todo amor que guardo em meu peito."

Os dias em que estive internada e mesmo nos dias que estive em casa entre uma internação e outra não foram fáceis. Eles se arrastavam e eu ia do céu ao inferno em pouca horas. Ria, conversava, recebia visitas, mas fazia tudo isso como se flutuasse, não estava ali em essência, meu corpo e minhas respostas estavam, mas minha essência voava longe.
Percebia esse comportamento e ele me angustiava, pois reconhecia aí um comportamento auto destrutivo, algo que me deixava triste e que pudesse me levar a uma depressão.
Logo que acordei no dia 31 de março no hospital após a perda,escrevi a seguinte mensagem para avisar meus amigos e familiares:

Aprendi essa noite q em tudo dai graças! Por isso agradeço
 meu Deus o tempo breve mas suficiente em q tive meu bebê em meu ventre. Obrigada pela perfeição de gerar uma
 vida. Obrigada por q esta criança foi o sonho mais lindo que construí com meu esposo. Obrigada por todos amigos q 
explodiram de emoção e felicidade junto conosco. Obrigada pelas orações de nossos amigos e parentes. Obrigada 
porque do céu nosso bebê olha agora por nós. Obrigada por 
meu esposo que não saiu do meu lado nesses dias. 
Obrigada pela tua infinita sabedoria Pai. Mas obrigada, 
obrigada mesmo pela vinda do meu filho! Sei q independente
 de onde vc estriver meu bebê agora somos 3.

Achei que assim avisaria a maior quantidade de pessoas possíveis, me expus é verdade, mas evitei uma série de perguntas desagradáveis e repetições do que havia acontecido. Recebi muito apoio e mensagens de carinho que não as li imediatamente dada minha fragilidade no momento. Uma médica amiga minha enviou- me uma mensagem indicando uma leitura. O livro chama-se Quatro Letras da autora Flávia Camargo.
Enquanto passava por minha segunda internação comprei o e-book e comecei a leitura. 
No livro ela conta sua gestação, toda espera por seu filho Igor e como foi a perda e os instrumento utilizados para continuar a viver, e viver bem! Ia lendo bem aos pouquinhos e parecia que ela havia escrito aquele livro pra mim, passava pelos mesmos questionamentos e encontrei muitas respostas.
Outra forma de ajudar-me foi entrar para uma comunidade do facebook chamada Do Luto à Luta. Esta sem duvida foi a maneira mais linda que encontrei de dividir meu luto e encontra meios de voltar a lutar pela minha vida, pela felicidade do meu casamento e pelo sonho de ter um bebê aqui comigo.
Mas a principal forma de ajuda encontrei quando retornei a igreja. Deus é mesmo o único que pode preencher o vazio que ficou, e Ele preenche de modo delicado, Ele não tirou minha filha do meu coração, Ele só fez parar de doer o pedaço do meu coração que ela levou e me mostrou que parte do coraçãozinho dela passou a fazer parte do meu. Mostrou-me ainda que a vida continua e que minha história é o testemunho do cuidado e proteção que Ele dispensa à mim.
A maior lição que aprendi com toda essa ajuda é que Ser é diferente de Ter. Se me perguntam se sou mãe respondo que sim, mas se me perguntam se tenho filho respondo que não. Porque independente de ter minha filha comigo não deixei de ser sua mãe só porque ela se foi.
Sendo assim, sou a mãe da Elisa!


quinta-feira, 26 de maio de 2016

Tudo o que ouvimos

Perder é algo difícil né?!
Eu costumo ficar brava quando perco meus pertences, quando meu esposo perde alguma coisa e quando perco dinheiro então, falto endoidar. 
Mas perder um filho, não foi nada fácil!
Perder, perder, eu perdi, mas não gosto da palavra dita assim, é pesada demais e Glória a Deus meu esposo resolveu dividir essa dor comigo, então Perdemos... perdemos nossa menina, nossa filhotinha, nossa Elisa.
Os dias que seguiram a perda foram compridos e ainda o são. 
Na louca tentativa de amparar o casal que sofre muita gente veio conversar conosco e nos consolar. Aceitei com o coração grato cada um dos gestos de afetos que recebemos. Mesmo aqueles comentários que nunca deveriam ter saído da boca das pessoas, deveriam ter ficado lá guardadinhos.
É mesmo muito difícil lidar com o luto, com a morte e o peso que eles carregam, mas aos que não sabem o que dizer deveriam simplesmente não dizer, os abraços silenciosos que recebi foram sem duvidas os que mais me trataram a alma.
Li muito nos dias que seguiram a perda e escolhi (sim eu ESCOLHI) não me magoar com nada que escutasse. Hoje quando penso nos dias que vivi, recordo alguns comentários que teriam o poder (caso permitisse) de me machucar bastante.
Entenda bem, eu não julgo as pessoas pelos comentários que fizeram e entendo que todas tiveram boas intenções (ou assim espero), mas percebo nesses dizeres a falta de tato para lidar com um momento tão delicado.
Vamos aos comentários e a uma breve reflexão de cada um:
*Era só um feto
É verdade, meu bebê estava numa fase que a chamavam de feto ainda, 15 semanas, mas aquele era o meu feto, o feto que daria, ou melhor que já era a minha filha. 
*Você ainda é nova, logo vem outro.
Sim, sou nova, tenho 27 anos, mas e quanto as mães de 15, 16 anos, estas também deveriam perder seus filhos por serem novas? Não! A idade não importa, a dor da perda não seria diferente em qualquer idade. 
Se eu acredito que em breve terei outro bebê? Sim acredito. 
Se acredito que este novo bebê irá diminuir a dor que hoje sinto? Não, não acredito. Nunca, não importa quantos filhos tenha, nenhum irá substituir minha Elisa, o lugar dela em meu coração está reservado e acredito em nosso reencontro. Tudo isso digo embasada em experiências de outros casais de amigos que sofreram perdas e me falaram que nunca o vazio que o bebê que se foi deixou será preenchido por outro.
Tenho uma pergunta... Se hoje você que me lê perdesse seu esposo/esposa, acha que alguém lhe diria "Calma, você é novo logo arruma um(a) esposo(a)!" Não, nunca ouvi ninguém dizer isso, porque então uma mulher que acaba de perder seu bebê precisa ouvir isto?
Quando escuto este tipo de consolo ainda hoje tento entender que o que a pessoa quer dizer é que as chances ainda não acabaram e que preciso ter esperança, mesmo que seja cruel e amarga esta frase escolhi entende-la assim.
*Você não é a única que passou por isso
Esta foi sem duvida a frase que mais mexeu comigo e quase me fez perder o controle porque foi dita de um modo muito frio. A frase completa foi dita porque não quis contar como tudo aconteceu a uma tia do meu esposo e foi exatamente assim: "Porque você tá tão triste? Você não é a única que passou por isso." Não, não fui, mas daria tudo pra ter sido a última, pra que ninguém mais tivesse que sofrer este tipo de perda. Ah, e a bonita graças a Deus nunca perdeu um filho, pergunto-me que conhecimento de causa ela teria para me perguntar isso.
*Vai que ela tinha uma mal formação
Essa é doer nos ossos. Eu trabalho numa UTI Neonatal de referência em meu estado e diariamente recebo bebês extremamente mal formados, nunca ouvi uma mãe sequer dizendo que preferia ter perdido na gestação, mesmo embora muitos bebês morram em questão de dias ou meses. 
Prefiro acreditar que Deus sabia que eu suportaria perder meu bebê ainda na gestação, mas sabia também que não aguentaria viver o sofrimento diário de ver meu filho internado passando por inúmeros procedimentos como aquelas mães de UTI.
*Na próxima gestação vê se não trabalha tanto
Muita gente me julgou porque comecei a perder sangue num dia que trabalhei 12 horas, no entanto isto não chamou a atenção de nenhum médico, pois o grande problema inicial era a placenta baixa e segundo minha médica era esperado que uma placenta baixa sangre independente de ter trabalhado um dia todo.
*Vê se não fica com medo de engravidar
Vou ficar não, vou ficar bem tranquila, foi super fácil viver tudo que vivi (Se sentindo irônica). Gente, pelo amor dos céus, como assim não ter medo?! Tá bom a palavra pode até não ser medo, mas serei muito cuidadosa numa próxima e meu atual médico já disse que fará muita questão de me acompanhar de perto.

Ouvi muito mais coisas, mas essas foram as que mais me chamaram atenção e me fizeram refletir o modo como eu mesma encarava a morte até então.
Grande beijo!

quarta-feira, 25 de maio de 2016

O que ficou?

Ficou a dor.
Doía, mas doía de um jeito novo, uma dor que nunca imaginei sentir, a dor de ter um pedaço arrancado, mas se fosse algo físico talvez doesse menos, eu era dor e só.
Fui atendida por um médico que não ama a profissão.
A atrocidade de sua atitude reflete sua falta de sensibilidade.
Ele enrolou o dedo no que sobrara do cordão e puxou.
Fui ali no céu e voltei 3 vezes.
Doeu muito, chorei ainda mais!
Como já era madrugada teria que aguardar o dia seguinte para realizar um USG e passar pela curetagem se preciso fosse.
Fui para uma sala aguardar para ir para o quarto.
Nessa hora meu esposo pode enfim entrar.
Contei a ele que nossa menina tinha seus cinco dedinhos que ele sempre queria contar nos ultrassons, contei-lhe que ela tinha seu nariz de batatinha e que eu a amava. Pedi desculpas por não ter conseguido... Era frustante pensar que não tive a capacidade de guardar e proteger minha filhotinha.
Chorei.
Choramos.
E ele teve que ir embora.
Fui encaminhada para um quarto longe do setor obstétrico e suas mamães felizes e seus bebês.
No dia seguinte passei por um USG e a curetagem foi indicada.
Me tremi de medo do que estava por vir.
Chorei quando minha mãe chegou e a vi com sua cara de "tá tudo bem, eu cuido de você".
Chorei quando fui encaminhada ao centro cirúrgico.
Chorei.
Fui anestesiada completamente e nem vi a curetagem acontecer.
Fui liberada no dia seguinte porque o hospital não tinha os antibióticos e em casa deveria tomá-los.
Outra reflexão: Vamos eleger o pior de todos os momento? Não dá. Sabe porque? Toda parte triste dessa história foi composta por piores momentos, eleger o pior é muito injusto com os demais piores momentos. No entanto o momento de deixar o hospital foi dentre eles um dos piores. Mesmo muito consciente do que ocorrera, estar no mesmo hospital em que a entreguei representava que ainda estávamos juntas, entrei com ela em meus braços e sair sabendo que mesmo que voltasse lá nunca mais a teria de volta foi mais ou menos como se alguém pegasse meu coração, cortasse um pedaço com uma faca cega e dissesse bem assim: "sabe esse pedaço do seu coração? vai ficar aqui pra sempre e nunca mais o terá". Doeu, como doeu e dói.
Cheguei em casa com febre.
Na semana seguinte retornei à minha médica e contei-lhe que havia tido febre e que estava tomando a dipirona e os antibióticos prescritos, mas que me doía o abdômen e o sangramento não parava e mantinha um aspecto estranho com cheiro ruim.
O que ouvi? "ISTO É NORMAL E PODE DURAR 40 DIAS" 
OIEEEEE
Pra qualquer um febre é algo estranho e aliado a dor e sangramento mal cheiroso é mais do que suspeito.
Enfim... fui pra casa e no dia seguinte tive febrão novamente. Voltei em outro hospital e realizei novos exames e USG. Estava com infecção e uma nova curetagem foi indicada, já que haviam muitos restos ovulares em meu útero.
Passei por nova internação e fui liberada após 5 dias de antibióticos.
Sai de alta com a prescrição de vitaminas e sulfato ferroso, uma vez que parecia um fantasma de tão branca e cansada que estava. A orientação era manter abstinência sexual até o sangramento parar  e deixar as tentativas de uma nova gestação para depois do primeiro ciclo menstrual.
E acabou. 
Acabou nada, fiquei buscando meios de colocar um ponto final em tudo isso, mas cada vez que encontrava algo que pusesse um ponto final lembrava de outro que ainda precisava ser resolvido. Explico melhor tudo isso nos próximos posts.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Nosso 30 de março

O dia foi cheio, foram 2 consultas com médicos, mas fomos de carro e só ia andando até o consultório. Voltamos pra casa e deitei-me no sofá, cochilei.
Acordei com uma dorzinha atípica. Doía o pé da barriga e ia subindo. Pensei: "São gases" Tomei uma simeticona e fui tomar banho.
Deitei-me e dormi.
Marido me acorda: "Você tá gemendo de dor? Tá tudo bem?"
Não! a dor não melhorava.
Mas tá você nem desconfiou de cólica?
Veja bem... NUNCA tive cólica! Sou daquelas abençoada que a menstruação não traz nenhum incômodo, não sinto nadinha de nada.
Não pensei nas primeiras idas ao banheiro que aquilo poderia ser cólica, ainda assim tomei um buscopam e fiquei passeando do banheiro à cama por várias vezes e nada de melhorar.
A última vez que fui ao banheiro senti algo muito incomum e que me chamou a atenção, lembrei que em minhas aulas de saúde da mulher aprendi que muitas mulheres referem-se a dor que sentem quando estão em trabalho de parto como se houvesse alguém abrindo-lhe as costas. Sim, senti como se minhas costas estivesse se partindo ao meio e aí me veio um estalo ESTOU EM TRABALHO DE PARTO. 
Pensa num momento rápido... foi em uma fração de segundos que pensei vou ao médico e então me veio a vontade de vomitar.
Agora veja a cena: sentada no vaso sanitário, tive vontade de vomitar, peguei um saquinho na gaveta e vomitei uma, duas vezes, na terceira...
...na terceira senti ela sair!
É! 
Meu bebê saiu de mim como se quisesse ver o que ocorria aqui fora!
Ela ficou presa pelo cordão.
Gritei, gritei de dor, não da dor que antes sentia, aquela já havia parado, gritei da dor que mudava de lugar, ela saia do pé da barriga pra habitar de vez o meu coração, uma dor maior, o grito que ficara preso desde o dia 19, um grito de quem teve que aprender rápido demais o que era ser mãe e rápido demais ter que se despedir de seus sonhos, um grito de ver todo seu sonho se desabar diante de ti, gritei!
Meu marido entrou correndo e vendo a cena se desesperou!
Paro aqui o relato para uma reflexão. Deus é mesmo muito bom! Naquele instante vi meu marido, que era minha rocha se esfacelar diante de mim. Dentro de mim algo dizia que por ela eu não poderia mais nada fazer, mas por mim ainda havia chances, eu precisava correr.
Pedi uma toalha e a segurei, esperei sentir a placenta descer. Enganei-me, ela não desceu e puxei, meu cordão rompeu e ali me vi a sangrar rios. 
Minha filha estava no meu colo!
Eu a vi. Pedi que meu marido não olhasse, mas eu, eu a vi, eu a amei, eu a achei linda, perfeita, a mais linda das criaturas de Deus, mesmo tão pequena, coube na minha palma, era a criança mais linda e perfeita, era a criança que eu queria, a criança que pedi a Deus.
Fomos ao hospital com ela em meus braços, apertada no meu peito, acho que na tentativa de tentar colocá-la dentro de mim novamente.
Fui atendida por uma equipe de enfermagem que me cercou e viu o meu desespero.
Me permitiram despedir-me da minha pequena Elisa.
Acariciei de leve seu braço e senti seu cheiro.
Contei seus dedos, ri ao ver seu nariz de batata igual ao do pai, observei em busca de qualquer sinal de vida, mas ela se foi.
Ela se foi de vez.
Foi enroladinha numa compressa de gaze.
Pesou 74 gramas e se foi.
Foi...

Os dias de tensão.

Chegamos em casa tarde naquele sábado 19 de março. O domingo se arrastou lento e como fui orientada, mantive repouso total, marido se encarregou de todas as atividades da casa e inclusive levar minhas refeições na cama, auxiliar-me no banho e assumiu o posto de guarda costas oficial da gestante.
Fui muito cuidada e mimada, estava arrasada e a qualquer miníma conversa já começava a chorar.
O fluxo manteve-se pequeno durante o dia. 
Quando o Fantástico começou a passar na TV trouxe consigo uma nova onda forte de sangue e coágulos. 
Outra vez voamos até o hospital. 
Novos exames.
Novo USG.
Um sangramento que fluía como urina.
Nosso bebê mantinha-se firme e de um dia para outro já havia até engordado estando compatível com suas 13 semanas.
Novamente fomos tranquilos (?) para casa.
Minha licença médica acabava naquele sábado, como o sangramento não diminuía resolvi voltar ao médico. Realizamos um novo USG e tudo mantinha-se bem e a área de sangramento diminuía. A médica resolveu liberar-me a voltar trabalhar na próxima segunda feira.
E o sangramento continuava e aumentava, diminuía, aumentava....
Na Páscoa fomos para casa de meus pais e tivemos um dia excelente, comi, conversei e repousei muito. 
Minha aparência já não era das melhores, estava branca como papel e totalmente fraca, uma caminhada da cama para o banheiro já era o suficiente para tirar-me o folego. 
No domingo de Páscoa retornamos ao médico que renovou minha licença médica mesmo dizendo que naquele USG já não se via área de descolamento da placenta e meu bebê crescia cada dia mais.
No inicio da semana fomos realizar nosso primeiro USG morfológico. Pedi que o exame fosse todo gravado. Tomei um todinho antes do inicio e pra minha surpresa o bebê se movia loucamente na barriga, chutava e não ficava quieto para medição, virou-se quando a médica disse que procurava o ossinho do nariz e virou de costas quando media a prega nucal, fez o maior rebuliço, arrancou muitos sorrisos de todos que estavam na sala com tanto vigor. Não apresentei nenhuma área de descolamento da placenta, embora o sangramento continuasse. Meu bebê estava em pleno desenvolvimento sem nenhuma alteração morfológica evidente.
Chegado o dia da consulta com minha GO, dia 30 de março. Era uma quarta feira e completava minha 15º semana de gestação. Fomos ao consultório e contamos toda nossa saga, os 11 dias de sangramento que não me abandonavam. Bastante preocupada, orientou-me a manter o repouso e as medicações já prescritas, solicitou novos exames e liberou-me.
A história bem que poderia continuar assim: "Voltamos pra casa, meu sangramento parou, meu bebê continua a crescer e em setembro o terei aqui comigo!"
Mas não! O dia 30 ainda nos reservava muitas surpresas!!!

domingo, 22 de maio de 2016

Mãe, calma... Foi só um susto!

No dia 19 de março fui trabalhar. Seria mais um típico plantão de 12 h. num sábado. Tive um dia calmo, embora tivesse muito trabalho, fiz tudo em meu ritmo, não carreguei pesos nem me esforcei muito. Passei o dia bem, me alimentei e voltei pra casa às 19 h. 
Ao chegar em casa havia combinado com meu marido de irmos passear e bebemorar (com suco pra gestante) nossa nova família.
Cheguei em casa e o maridão já tava pronto, resolvi fazer um lanche e enquanto comia sentada à mesa, meu esposo abriu o portão para que meus cachorros entrassem, comecei a brincar com eles e senti algo escorrendo, como se uma grande quantidade de corrimento saísse pela vagina, não me incomodei porque já iria tomar meu banho, foi nesta hora que um comportamento atípico do meu cachorro me chamou a atenção. Ele parou no meio das minhas pernas e começou a farejar, achei estranho e corri para o banheiro. Qual não foi minha surpresa quando vi minha calcinha completamente lavada de sangue.
Qual o primeiro pensamento???
PERDI MEU BEBÊ!
Avisei meu marido e corremos para o hospital.
Chegando lá, levamos um chá de cadeira de 30 minutos aproximadamente, todo este tempo passei orando e chorando muito, fiquei bem quietinha e quando me arrumava na cadeira sentia fluir um rio por minhas pernas.
O médico me atendeu, me examinou e fez um toque vaginal, segundo ele meu colo estava pouquinho aberto, pediu um USG de emergência e corremos para ir fazê-lo.
Outro chá de cadeira para realizar o exame e mesmo deitada na maca pareceu-me que passou uma eternidade até o médico entrar na sala e realizá-lo.
Ouvi um SHI SHI SHI SHI SHI muito rápido.
O médico não se preocupou muito em tentar melhorar a ausculta, mas me disse: "Tá ouvindo? É seu bebê! Tá tudo bem com ele" 
DEUS DO CÉU!!!! Que alegria, meu esposo começou a chorar e eu só sabia agradecer a Deus.
O obstetra então nos disse que minha placenta estava um pouco baixa ainda e que normalmente placentas baixas sangram, mas que naturalmente com o crescimento uterino ela iria subir, mas que pelos próximos dias iria sangrar até que ela se regenerasse e "colasse" novamente. Receitou-me um comprimido de progesterona chamado Ultrogestan que deveria ser colocado por via vaginal uma vez ao dia com o intuito de manter meu colo bem fechadinho, já para o sangramento o remédio seria aguardar e manter repouso.
Fui pra casa mais aliviada, mesmo que por dentro, lá no fundo do coração, alguma coisa começasse a doer, mas era uma dor silenciosa, esperando pra se expandir e transformar-se num grito de desespero.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

As 12 primeiras semanas.

Depois que recebi meu positivo e contei ao maridão foi a hora de contar pro mundo. Estávamos tão felizes que saímos ligando e contando à todos a novidade, aos que seriam avôs, avós, bisavôs e bisavós, tios e tias.... enfim contamos a todos!
Nossa primeira ultrassonografia (USG) foi marcada para algumas semanas seguintes, eu já calculava 7 semanas e esperava ouvir o coraçãozinho. 
Na manhã do dia marcado fomos maridão e eu para o laboratório. O exame foi muito rápido, a médica o encontrou fácil, fácil. Era apenas um saco enorme todo preto e bem num cantinho uma coisinha minuscula em formato de vírgula. Era a virgula mais linda desse universo (mamãe babona)!!!
As semanas foram passando e o único sintoma que sentia eram o inchaço e a sensibilidade aumentada nas mamas. Não tive enjoos, náuseas, vômitos, nada, nada, nada.  Adorava quando logo de manhã palpava os seios e os sentia doloridos, eram um pequeno sinal de uma novidade linda em minha vida, na verdade aquele era o único sinal até então de que estava gerando uma nova vida.
Quando descobri a gravidez estava de férias e aproveitamos uma semana de folga na Bahia em companhia da minha mãe. Foram dias divertidíssimos e cheio de amor e cuidados com a nova gestonta. Sim, o termo gestonta se encaixava adequadamente ao modo lentificado, sonolento e atrapalhado que me comportava, sem querer me via esbarrando em coisas, atrapalhada na hora de cozinhar ou até mesmo lenta no raciocínio. 
É um momento tão único e especial que me sentia a
última bolachinha do pacote, o mundo poderia cair que eu era uma mulher grávida e ninguém poderia mudar isto.
Tivemos nossa primeira consulta com a ginecologista que nos solicitou novos exames, sorologias e USG de primeiro trimestre. Tudo corria às mil maravilhas, nosso bebê só sabia crescer e se formar perfeitamente.
Lembro uma noite que deitada com o maridão já de luz apagada, senti um tremor no pé da barriga e dei um pulo da cama, pela primeira vez havia sentido, o que depois me explicou a médica, ser uma acomodação do útero que estava crescendo.
Quando voltei a trabalhar, já com 12 semanas, diminui um pouco o ritmo, trabalhava as mesmas 6 horas por dia, mas fazia tudo no meu tempo e com mais calma, não me permitia perder a paciência e não pegava pesos. Alguns dias precisei trabalhar 12 horas, mas ainda assim mantinha meu ritmo lerdo quase parando e sim algumas vezes eu parava, ia tomar um café e esticar as pernas.
Foi exatamente após um desses dias trabalhando 12 horas que minha gestação tomou um novo rumo, um rumo nada desejado e planejado, que me transformou da cabeça aos pés...

O começo de tudo.

E a história começa assim...

Me casei no final do ano 2014 após 11 anos de namoro (creindeuspai tudo isso? Sim tudo isso). Foi um casamento muito sonhado e minuciosamente planejado, e aqui já mostro um traço muito marcante da minha personalidade, sou muito organizada e extremamente cuidadosa nos planejamentos de tudo que irei fazer.
Na época utilizava como método anticoncepcional (AC) a injeção mensal de Perlutan, nunca tive problema algum com este método.
Decidimos, boy magia e eu, que nos prepararíamos por pelo menos 10 meses para então iniciarmos as tentativas de um novo membro para nossa família, nosso filhotinho como carinhosamente sempre nos referimos por aqueles que virão a ser.
Sendo assim em outubro de 2015 paramos o AC e estava aberta a temporada de captura de peixinhos (jeito bunitinho de falar dos preciosos espermatozoides do boy magia).
Fiz exames preparatórios meses antes e iniciei o ácido fólico como recomendado pela ginecologista.
Mas e aí gata, qual mandinga você iniciou na fase de tentante? Nenhuma benhê! Eu li muitas coisas, mas a verdade é que deixei acontecer, sempre tive a certeza de ser a mais fértil das moças do universo (ah vá... ). Tá bom, confesso que a única preocupação que tinha era a de me manter deitada após o namoro.
Meus ciclos permaneceram certinhos com 35 dias de permanência, não observei mucos, temperatura basal, aspecto do colo, nada, nadinha.
Em janeiro de 2016 comecei a sentir uma dorzinha nos seios, achei a princípio que meu ciclo iria se bagunçar, parecia a sensibilidade que sentia antes da Montra (vulgo menstruação) vir. Desconfiei quando um dia após aquelaaa namorada o boy magia vira pra mim e pergunta porque meu peito cresceu? (oi? Justo eu que tenho mamas estilo ovo frito. Agora peituda?) aguentei firme e no primeiro dia de atraso da Montra já sabia a resposta. Sim, deu POSITIVO, estava gravidissima.
Contei ao maridão no mesmo dia com uma pequena surpresa. A reação dele? Me abraçava, me soltava, perguntava se era verdade e novamente me abraçava, até que por fim ele me solta a máxima: "Olha, calma a gente ainda não vai comprar o quarto tá?!" Oie benhê?! Como assim??? tanta coisa pra dizer e o cara me diz que ainda não vamos comprar o quarto. kkkkk Eu mereço!!!!



Amanhã tem mais....
Bjus

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Boas vindas!

Eu não resisti!
Prometi, prometi que não faria um blog, mas não aguentei.
Na época do casório ter um bloguinho foi mto bom pra aliviar a ansiedade e buscar dicas para o big day e pensando desta mesma forma decidi que precisava de um espaço para falar, desabafar, rir, chorar, criar novos vínculos, enfim...
O fiz de modo anônimo para não me expor ou as pessoas envolvidas nas histórias que irei contar e sim já tenho muita história pra contar.
Adianto que embora se pareça triste minha história é muito linda e hoje enxergo a alegria e a felicidade que ela me trouxe.
Amanhã início os trabalhos...
Grande bju da Tentante Sonhadora.